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Descubra o que são os diamantes do vinho e o que fazer!

Descubra o que são os diamantes do vinho e o que fazer!

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Se você tem o costume de apreciar vinhos constantemente, de diferentes rótulos, talvez já tenha notado nas rolhas (na parte que fica em contato com a bebida) ou encontrado no fundo da sua taça os diamantes do vinho.

Tratam-se de cristais originados da própria uva, como veremos a seguir. É preciso esclarecer que esses diamantes são uma reação natural dos frutos e que não fazem mal à saúde. Há, inclusive, muitas pessoas que gostam de levá-los à boca para deixá-los dissolverem lentamente, como um ritual. Ou seja, não é preciso jogar o seu vinho fora se encontrá-los.

Quer saber como surgem esses diamantes do vinho, se alteram a qualidade da bebida e o que dizem os produtores e consumidores? Falaremos sobre tudo isso neste texto, acompanhe!

O que são os diamantes do vinho

Para entendermos melhor de onde vem esses cristais, precisamos voltar às aulas de química: os diamantes não são nada mais do que cristais de ácido tartárico, formado por causa da precipitação de dois elementos que são encontrados nas uvas: o ácido tartárico e o potássio.

Ao se solidificarem, essas substâncias podem decantar e ir parar no fundo da garrafa, da sua taça ou, até mesmo, se aglomerarem na rolha, formando uma película de pequenas pedrinhas.

Capazes de assustar os mais desavisados — que, prontamente, querem descartar a bebida ou voltar ao estabelecimento onde ela foi comprada, para trocar por uma “nova”— os cristais são realmente um ótimo sinal. Portanto, se todas as características do seu vinho, como aroma, cor e sabor estiverem preservados, pode comemorar!

Como eles surgem?

Seguindo com as lições de química, tais cristais de bitartarato de potássio reagem às baixas temperaturas e são uma indicação de que as uvas ficaram por um prolongado período nas videiras antes de serem colhidas para a produção.

Além disso, os diamantes do vinho são uma prova de que a bebida não foi submetida a um processo de estabilização pelo frio, pois isso faria com que a precipitação dos cristais ocorresse antes de o vinho ser, de fato, engarrafado.

Tudo isso significa que o seu vinho com diamantes, na verdade, tem muito mais personalidade e é bastante fiel aos traços típicos das variedades de uvas utilizadas em sua produção.

Diamantes, sedimentos ou borra?

É importante lembrar que os cristais são diferentes de outros dois elementos que podem surgir no fundo da garrafa do vinho: os sedimentos ou as borras.

Enquanto as borras são restos de películas e sementes das uvas somados com as leveduras, depois da fermentação alcoólica, os sedimentos são resultados de partículas corantes naturais da casca da uva e taninos, indicando que o vinho foi apenas parcialmente filtrado. Vale ressaltar que esse também não é um indicativo negativo de qualidade.

Como o ácido tartárico interfere no seu vinho

Como o próprio nome já indica, o ácido tartárico é um composto responsável pela sensação de acidez do vinho. Essa acidez, além de trazer vivacidade e frescor para a bebida, é responsável por auxiliar na harmonização dos rótulos com os alimentos também como um dos seus principais conservantes.

Os três ácidos encontrados naturalmente nas uvas são o tartárico, o cítrico e o málico, sendo o tartárico — o nosso assunto de hoje — o que existe em maior abundância nos frutos.

Qual é a relação entre os diamantes e as uvas

Em primeiro lugar, é importante saber que tanto as uvas tintas quanto as brancas podem originar os cristais, afinal, ambos os frutos têm os elementos que o causam.

O único fator diretamente relacionado às uvas que podem influenciar no surgimento dos diamantes é a quantidade de tempo que elas permaneceram nas videiras antes da colheita, ficando extremamente maduras, como dissemos a pouco.

Isso acontece porque o ácido tartárico se junta naturalmente ao potássio, que é o principal ingrediente utilizado pela videira para o seu desenvolvimento — ou seja, quanto mais tempo no pé, mais as frutas vão absorver esses componentes.

Essa ação, portanto, pode acontecer com qualquer tipo de vinho, desde que o seu processo de produção seja um fator influenciador.

O que dizem os especialistas

Na verdade, as opiniões sobre os diamantes do vinho são bastante diversas entre os produtores e apreciadores da bebida. Muitos dizem que os cristais são bem-vindos e indicadores de qualidade, afinal, quando as uvas permanecem por mais tempo nas videiras, elas dão origem a uma bebida com mais tipicidade, personalidade e riqueza de aromas.

Além disso, por serem um indicativo de que o produto não passou pelo processo de estabilização a frio, eles provam, também, que substâncias coloidais importantes pela tipicidade não foram perdidas durante a produção.

Essa preferência também pode ser uma questão cultural: grande parte dos produtores e consumidores europeus consideram os diamantes do vinho como um sinal de qualidade superior, enquanto os americanos, geralmente, ficam incomodados com eles. Ou seja, como grande parte dos temas relacionados ao universo dos vinhos, trata-se de uma questão de gosto pessoal, acima de tudo.

Este conteúdo foi mais do que um texto sobre vinhos — foi uma verdadeira aula de química e dos processos de produção das uvas, não é mesmo? É justamente isso o que encanta no universo da enologia: a cada nova garrafa que é aberta, muitas experiências e descobertas podem surgir.

Os cristais que se formam embaixo das rolhas, quem diria, não só são perfeitamente naturais como são bons indícios de que as uvas foram colhidas em um momento excelente e de que a sua bebida não passou por determinados processos de estabilização — ou seja, é mais natural e tem excelente qualidade.

Agora você já sabe: quando encontrar os diamantes do vinho, nada de pensar em descartar a sua bebida! Estando tudo certo com as demais propriedades da bebida, basta usar mais esse motivo para comemorar! A dica extra é colocar um desses cristais na boca e deixá-lo derreter: é uma experiência gustativa bastante interessante!

Já falamos, aqui, sobre a acidez e como ela é essencial para a harmonizar a bebida com o prato certo. Então, aproveite para descobrir qual vinho combina com frutos do mar!

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