A origem do vinho: descubra e encante-se ainda mais

A origem do vinho: descubra e encante-se ainda mais

Você, que gosta de tomar algumas taças de vinho no fim de semana e aprecia a bebida na companhia de amigos, já parou para pensar como ele surgiu? Já se perguntou quem foi o primeiro a observar a fermentação da uva e decidir beber aquele líquido?

Se a sua curiosidade é tão grande quanto o seu gosto por um bom vinho, fique por aqui! Neste artigo, vamos contar a origem do vinho, como se desenvolveu aqui no Brasil, além de algumas curiosidades sobre o tema. Interessado? Continue a leitura para conferir!

A origem do vinho

É difícil precisar quando, exatamente, surgiu a primeira bebida fermentada de uva, pois não há documentos sobre esse fato. No geral, acredita-se que o vinho foi descoberto em momentos e lugares diferentes do mundo, principalmente com o desenvolvimento da agricultura.

Há, no entanto, uma fábula muito difundida até hoje que remonta essa origem à Pérsia Antiga, onde hoje está localizado o Irã. Por volta de 7 mil anos atrás, uma princesa haveria perdido o prestígio com o rei Jamshid (ou Jamsheed) e, para curar a dor e a tristeza que sentia, decidira se envenenar com uma bebida feita de uvas estragadas.

O líquido havia sido encontrado pelo rei em um jarro: uvas partidas em um suco, que parecia borbulhar. Desconfiado de que o produto poderia estar envenenado ou estragado, o homem avisou a todos para que não o consumissem. A princesa, no entanto, desobedeceu essa ordem e bebeu o suco de uva “estragado”.

Ela ficou um pouco sonolenta, mas seu humor melhorou. Assim, a bebida fermentada passou de um líquido venenoso para um milagroso.

O consumo no Antigo Egito

O cultivo e o consumo de vinho foram bastante reproduzidos em imagens pelos egípcios entre 3.000 a.C. e 1.000 a.C. Os faraós o ofertavam aos deuses, além de ele ser usado nos rituais dos sacerdotes. A bebida, no entanto, era proibida para as classes mais baixas da população do Egito.

Alguns registros de hieróglifos — estilo de escrita sagrada para a alta sociedade do Egito Antigo — encontrados até hoje demonstram a produção desse vinho. Documentos contam como era feita a plantação das parreiras, a prensa com os pés após a colheita, a fermentação e o armazenamento. Essa fermentação, aliás, era bastante cuidadosa, e serviu de base para os métodos usados até hoje. Os vinhos mais leves eram fermentados por alguns dias, enquanto os mais alcoólicos passavam semanas pelo processo.

Sabe-se que o vinho e o azeite de oliva eram comercializados pelos egípcios e foram levados para a Ásia, a África e a Europa, principalmente no Mediterrâneo, por mercadores fenícios.

O vinho da Grécia e Roma Antigas

Trazido pelos mercadores, o vinho logo fez parte da cultura grega. O poeta Homero, que viveu provavelmente no século VIII a.C., menciona a bebida ao narrar a história da Guerra de Troia, na Ilíada, e as aventuras de Ulisses, na Odisseia.

Ao contrário do Egito Antigo, o vinho era apreciado por todos na Grécia, inclusive pela classe de trabalhadores. Os gregos, segundo contam, consumiam o líquido com água do mar e expandiam sua produção à medida que aumentavam o território conquistado. Assim, levaram essa produção às terras onde hoje estão a Itália e a França.

Já os romanos, ao se apropriarem de muitos elementos da cultura grega, também cultivaram uvas e apreciaram a bebida. No entanto, no início não havia muito interesse, e o pouco que era produzido por eles era exportado — sua preferência era pela cerveja.

O entusiasmo pelo vinho só começou mesmo quando eles encontraram livros sobre vinicultura após a Batalha de Cartago, na região onde hoje está a Tunísia. Posteriormente, a bebida se expandiu com eles para regiões da Grã-Bretanha, da Alemanha e da Gália, que mais tarde virou a vinicultura Bordeaux.

O vinho francês

Quando entramos na Era Medieval, o vinho já estava bastante difundido pela Europa. Em muitos casos, inclusive, ele era única bebida que acompanhava os banquetes, devido aos problemas relacionados à potabilidade da água daquela época.

Nesse mesmo período, a França começou a se destacar como produtora de vinhos com bastante qualidade, título que sustenta até hoje. Carlos Magno, o primeiro imperador do Sacro Império Romano-Germânico — monarquia com característica feudal na Europa Central e em parte do Norte, entre 800 e 1806 — estabeleceu diversas leis agrárias e normas para a regulamentação da produção de vinho.

A ascensão do catolicismo e o uso do vinho para a liturgia também contribuíram para essa difusão e fortalecimento da produção pelo continente europeu.

A expansão para outros continentes

A Era das Grandes Navegações contribui para espalhar a cultura de produzir e beber vinho a outras terras. Ao continente americano (mais precisamente, ao México), a bebida foi levada pela primeira vez no século XVI, por missionários.

Além disso, Cristóvão Colombo teria levados alguns tipos de uvas às Antilhas — um arquipélago situado na América Central, entre o Oceano Atlântico e o Mar do Caribe. Logo em seguida, elas se espalharam para outros lugares, como os Estados Unidos e as colônias espanholas na América do Sul.

A chegada do vinho ao Brasil

Quando os portugueses desembarcaram em terras brasileiras, a produção de vinho em Portugal (e em toda a Europa, no geral) já era amplamente exercida. Acredita-se que a comitiva de Pedro Álvares Cabral trazia cerca de 65 mil litros da bebida para o consumo durante a viagem.

As primeiras videiras, no entanto, começaram a ser plantadas por aqui só em torno de 1530, na Capitania de São Vicente. À época, Brás Cubas, um fidalgo português, era o maior proprietário de terras na região litorânea da capitania. Após muito trabalho na melhoria da qualidade do vinho produzido em terras brasileiras, a Câmara Municipal de São Paulo criou uma ata para padronizar a qualidade e os valores da bebida produzidos na região.

Maurício de Nassau, responsável por administrar as terras pertencentes à Holanda, também trabalhou para crescer a produção de vinhos, desta vez na Capitania de Pernambuco. Após esse período, contudo, o trabalho nas vinícolas teve uma grande queda, devido a problemas como pragas e a substituição por outra atividade: a procura por ouro no interior do país.

A produção de vinho volta a crescer no início do século XX, com o fim da escravidão e a chegada de imigrantes europeus — principalmente os italianos, que trouxeram a forte cultura do vinho. Inclusive, eles fundaram diversas das vinícolas que existem atualmente.

Desde essa origem do vinho no Brasil até hoje, a produção nacional passou por altos e baixos, mas cada vez mais tem se mostrado um setor em ascensão. Temos vinhos e espumantes com grande qualidade, que circulam no mercado internacional.

Por tudo isso, os brasileiros já demonstram grande interesse pela bebida e sabem dos seus benefícios. Uma taça pequena por dia, por exemplo, pode reduzir o risco de doenças cardíacas, de diabetes, de Alzheimer e de depressão, além de promover a longevidade! Não é à toa que a humanidade sempre apreciou essa bebida.

Então, gostou do nosso conteúdo? Sobrou alguma dúvida? Deixe o seu comentário e conte para a gente o que mais você deseja saber sobre o vinho!

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